quarta-feira, agosto 30, 2006

A natureza...

Estava eu a contemplar o mar, estupefacta com beleza das ondas a desfazerem-se na areia, surpreendida com a capacidade de sobrevivência de um bando de gaivotas que por ali pousavam, quando subitamente a atenção se deslocou para outra maravilha da natureza…

Que fazias ali?



Foto:
Hannah Larson

terça-feira, agosto 29, 2006

Acho tão Natural que não se Pense

Encontrei-me emaranhada nos meus pensamentos, sim ou não, faço ou não… Dúvidas, incertezas, caminhos incertos mas que precisam de ser escolhidos e então lembrei-me de Fernando Pessoa e de um poema do seu heterónimo:

Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa...

Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas…
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente…

Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.

Alberto Caeiro

segunda-feira, agosto 28, 2006

Esquecer?



Deitado na cama encontrei-te, o teu cheiro inundava o quarto, a roupa espalhada pelo chão anunciava a revolução que havia acontecido…

Cada milésima de segundo era revivida como uma imagem reflectida nos meus olhos, o desejo apoderara-se de todos os meus impulsos, não pensara apenas me entregara, somente saboreara aquilo que me ofereciam… Momentos, eternos momentos, instantes que não voltarão…

Quiseste convencer-me de que voltar àquela cama só dependia de mim, estavas disposto a permanecer lá…

E eu? Estaria preparada para esquecer outras lembranças?

Foto: Hannah Larson

sexta-feira, agosto 25, 2006

Lua


"Se me perguntarem se eu amo a lua, com toda a certeza eu direi que sim, porque não há nada que tenha uma beleza tão perfeita como ela. Ela faz-me dormir nas noites tristes, nas noites de dias que eu sinto um aperto no coração. Para mim ela é um óptimo remédio para a tristeza ou para a solidão. Com ela eu não me sinto sozinho porque é uma companhia que não se iguala a ninguém. As pessoas que me conhecem dizem que eu sou doido por ficar até altas horas apreciando a sua beleza. Por isso, eu digo e repito: eu fascino-me pela Lua."

Stanley Filho


Foto:
Geoffroy Demarquet


quarta-feira, agosto 23, 2006

Tocar e sentir


A areia nos meus pés, a entrelaçar-se por entre os dedos, a entranhar nos meus sentidos, a roçar cada sentimento perdido…

A areia a tocar cada parte escondida do meu corpo, a agarrá-lo fortemente sem querer abandonar…

Cada bago de areia a servir de aconchego à minha pele, de colo à minha alma, de carinho ao meu coração…

Cada instante passado a fornecer um abrigo, um lugar a quem eu me entrego…

E as pontas dos dedos a desenharem um nome na areia…


Foto: Hannah Larson

quarta-feira, agosto 16, 2006

O colapso


Se o amor fosse tão fácil de entender como é o funcionamento do nosso cérebro, perceberia que afinal a fibra sensitiva mais o fluído cefalorraquidiano não poderiam resultar em nada, porque são ambos de locais diferentes e realizam funções distintas, sem cedências era impossível dar algo lógico.

Contudo, se me explicassem que a existência de uma substância cinzenta processa a cognição e a personalidade e que cada movimento complexo é organizado por aquele simples centro nervoso, já compreendia que a única coisa que precisava era de uma substância branca, uma via nervosa, que ligasse as células entre si e o encéfalo.

Mas se os lobos de cada hemisfério estivessem a funcionar a 100%, a informação auditiva e a informação visual teriam comunicado às mãos e à face que o toque e a pressão exercida pelo outro tinham mudado.

Desta forma, o oxigénio e os nutrientes necessários para o normal funcionamento das células do cérebro teriam recebido o sangue proveniente das artérias, fazendo com que o pensamento me informasse que num curto espaço de tempo todo o meu sistema nervoso teria um colapso. Assim, evitaria o nó nos meus ventrículos que diminuiu a frequência cardíaca e o consequente esmagamento do meu mais querido órgão.

O incidente não passaria disso, se os meus milhares de neurónios tivessem a trabalhar, pois teria percebido que o toque e a pressão jamais voltariam a ser iguais e que, por mais tempo que eu lhes desse, eles não pretendiam reconsiderar. Foi neste período de hesitação que o bloqueio do coração se espalhou por todos os meus sistemas.

Esta avaria persistiu durante um tempo indeterminado, deixando sequelas muito dificilmente reparáveis…


Foto: Hannah Larson

segunda-feira, agosto 14, 2006

Es por ti

Cada vez que me levanto y veo que a mi lado ests
Me siento renovado
Y me siento aniquilado
Aniquilado si no ests
Tu controlas toda mi verdad y todo lo que est de ms
Tus ojos me llevan lentamente al sol
Y tu boca me habla del amor y el corazn
Tu piel tiene el color de un rojo atardecer

Y es por ti...
Que late mi corazn
Y es por ti...
Que brillan mis ojos hoy
Y es por ti...
Que he vuelto a hablar de amor
Y es por ti...
Que calma mi dolor

Y cada vez que yo te busco
Y no te puedo an hallar
Me siento un vagabundo
Perdido por el mundo
Desordenado si no ests
Como mueves t mi felicidad
Y todo lo que est de ms
Tus ojos me llevan lentamente al sol
Y tu boca me habla del amor y el corazn
Tu piel tiene el color de un rojo atardecer

Y es por ti...
Que late mi corazn
Y es por ti...
Que he vuelto a hablar de amor
Y es por ti...
Que brillan mis ojos hoy
Y es por ti...
Que calma mi dolor


Para ver e ouvir, aqui...