sexta-feira, julho 13, 2007

Eu sou...


Uma rosa envolta de delicadas pétalas, enfeitada com folhas de um verde intenso de alegria e adornada por exíguos e naturais espinhos que se desviam com temor de te ferir.



Ali nasce, naquela porção de terra que cuidas com desmedida ternura, onde brotam as mais lindas espécies de flores de todas as pigmentações, estampadas pelo arco-íris.



No horizonte reduz-se a um quadro singular, de uma perfeição inigualável; perto revela ser o teu espécime predilecto, o único por quem o teu sorriso irrompe, por quem na imensidão do mundo tu procuravas…

quarta-feira, julho 11, 2007


Em qualquer lado, o coração se desenha, num livro que leio, num pedaço de papel que apanho, num quadro que observo, numa parede suja pelo tempo… O coração do desejo, o coração do amor ou o coração órgão que nos suporta?

Foto: Ilona Wellmann

segunda-feira, julho 09, 2007

A inocência...




quarta-feira, julho 04, 2007

O ÚNICO DEFEITO DA MULHER


«Se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas: mulheres de um lado, homens do outro.

Não sei se hoje isso ainda acontece. Sou anti-social ao ponto de não frequentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que não me credencia a emitir juízos.

Mas era assim que a coisa acontecia naqueles tempos. Tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito, estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto a observar a paisagem.

Bem, depressa verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatómicas.

A fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.

Explico: no lado masculino imperava o embate das comparações e disputas.

"O meu carro é mais potente, a minha televisão é mais moderna, o meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, a minha equipe de futebol é mais forte, eu faço amor 3 a 4 vezes por noite" e outras cascatas típicas da macheza latina.

Já no lado oposto, respirava-se outro ar. As opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. Falava-se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimónia que me deliciava.

Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como mexerico. Discordo.

Destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres. Constatem, é fácil.

Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, as mulheres já chegam com quase metade da lição estudada.

Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática.

Ela brinca às casinhas e aprende a pôr um pouco de ordem nas coisas.

Ela pede uma bonequinha a quem chama filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana.

Ela fala em namoro mesmo sem ter uma ideia muito clara do que vem a ser isso.

Noutras palavras, ela já nasce a saber. E o que não sabe, intui.

Já com os homens a historia é outra.

Você já viu um menino dessa idade a brincar aos directores?

Já ouviu falar de algum garoto fingindo ir ao banco pagar as contas?

Já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do IRS?

Não, nunca viram e nem hão-de ver.

Porque o homem nasce, vive e morre uma existência infanto juvenil.

O que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos.
Aí reside a maior diferença.

O que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia e competição.

Então a fuga acompanha-os o resto da vida, e não percebem quanto tempo eles perdem com seus medos.

Falo sem o menor pudor. Sou assim. Todos os homens são assim.

Em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado.

Sempre consegui ver a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia.

Porque todas as mulheres são lindas.

Se não no todo, pelo menos em algum detalhe.

É só saber olhar.

Todas têm a sua graça.

E embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones da futilidade, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim.

Incautas não por serem ingénuas, mas por acreditarem.

Porque todas as mulheres acreditam firmemente na possibilidade do homem ideal. E esse é o seu único defeito.»

Texto de Sérgio Gonçalves, redactor da Loducca, publicado no Jornal da agência

Foto: A. Hunt

sábado, junho 30, 2007

A nossa casa


A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!
 
Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?
 
Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,
 
Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro - tão bom! - dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim
 
Florbela Espanca
 
Foto: Joel Le Montagner

terça-feira, junho 26, 2007

Momentaneamente sento-me num banco… Observo o movimento em meu redor… Não conheço ninguém, ninguém me conhece. Não percebem que as olho, que mecanizo e memorizo cada gesto dado. Continuo a sentir vontade de ali ficar. Não entendo porquê! Quero conhecer as pessoas, o que elas pensam, os seus sonhos, as suas ambições, todos os projectos delineados e fracassados… Quero entender os outros para poder entender a vida...

sábado, junho 23, 2007

Não quero... Somente quero...


Não te quero preso a mim, como um carro se prende a um reboque; não te pretendo enjaulado, como um singelo pássaro que um dia foi livre; não desejo exclusividade, como uma telenovela adquirida por um canal televisivo; não ambiciono ter direitos de autor sobre ti, como um poeta tem da sua obra; não te planeio agarrado a mim, como um doente a uma máquina de oxigénio…

Não te quero a olhar para mim com desgosto do que não viveste, não te quero ver a lamentar pelo que não fizeste; não quero sentir que te arrependeste daquilo que partilhámos…

Quero-te somente a ti… Preso com amor, enjaulado com a porta aberta, exclusividade nos beijos, direitos nos sonhos, agarrado a mim a planear o futuro…

Quero-te a olhar para mim a relembrar a maravilhosa vida vivida, ver que fizeste tudo o desejado, sentir que te alegras pela maravilhosa escolha…

Foto: Attila